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15/12/2008

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Libertas o fumo dos dias entediosamente mortos porque deles não queres nem memórias fechadas. Basta-te o pão e a água, a boca e a rosa guardadas no livro de cabeceira, os beijos e os abraços musgos com que fazes a cama do nascer.
Olho-te pela manhã. O sol é coroa de raios nos olhos que fechas, para veres o silêncio do teu mar de braços e troncos e tu neles contida, nesta bola de terra e mar que nos calhou. Se visses como é tão pequena!
Na tua escama de peixe, como diz al berto, segredas-me que a beleza de Deus é tão luminosa que nos cega, por isso o não vemos. Eu digo-te que sim.
Devagar, como se esse fosse o derradeiro momento, bebes a vida numa chávena de café e no fumo de um cigarro. Sabes os segredos guardados nas aragens com que enches o peito. Serenas, as horas passam-te. Sinal evidente de que Júpiter brilha muito menos que tu.
Levantas-te e vens ao meu encontro.


Dizes-me: hoje vamos ao inferno, onde o gesto e a ternura são buzinas de alcatrão na cidade feita só para iguais. Há alguém a precisar de nós.
Então vamos, digo-te. Depois recolheremos as estrelas cadentes numa caixa de chocolates.




Fotografias de jerry uelsmann