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01/05/2009

01/04/2009

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No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta


Cecília Meireles




stand by

deixo beijos
ternos. Obrigada a todos.

24/03/2009

16/03/2009

Estilo

— Se eu quisesse, enlouquecia. Sei uma quantidade de histórias terríveis. Vi muita coisa, contaram-me casos extraordinários, eu próprio... Enfim, às vezes já não consigo arrumar tudo isso. Porque, sabe?, acorda-se às quatro da manhã num quarto vazio, acende-se um cigarro... Está a ver? A pequena luz do fósforo levanta de repente a massa das sombras, a camisa caída sobre a cadeira ganha um volume impossível, a nossa vida... compreende?... a nossa vida, a vida inteira, está ali como... como um acontecimento excessivo... Tem de se arrumar muito depressa. Há felizmente o estilo. Não calcula o que seja? Vejamos: o estilo é um modo subtil de transferir a confusão e violência da vida para o plano mental de uma unidade de significação. Faço-me entender? Não? Bem, não aguentamos a desordem estuporada da vida. E então pegamos nela, reduzimo-la a dois ou três tópicos que se equacionam. Depois, por meio de uma operação intelectual, dizemos que esses tópicos se encontram no tópico comum, suponhamos, do Amor ou da Morte. Percebe? Uma dessas abstracções que servem para tudo. O cigarro consome-se, não é?, a calma volta. Mas pode imaginar o que seja isto todas as noites, durante semanas ou meses ou anos?

in Os Passos em Volta - Estilo, Herberto Helder



[Plim!]

Bom Fim de Semana!!

14/03/2009

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Sol!



Depois do frio inverno

chegou Março e o Sol, e com ele veio a renovação.
das paisagens...

...enquanto isso

"conheci" o senhor que se segue. Polémico. Sem dúvida!

A paixão pelo Real – Acto de autenticidade executado; realização directa da nova ordem há muito aguardada; alcançar finalmente a própria “coisa”. A experiência directa do Real opõe-se à experiência directa da realidade social quotidiana, uma vez que o Real surge como o preço a pagar depois de despojar a realidade das suas camadas ilusórias. A autenticidade do Real reside num acto violentamente transgressor, como o Real lacaniano – essa Coisa que Antígona enfrenta quando decide transgredir as leis da cidade. No Ocidente desenvolvido, a frenética actividade social dissimula a monotonia do capitalismo global, a ausência de um Evento… Talvez o actual terror fundamentalista tenha como propósito o de nos fazer emergir, a nós, cidadãos do Ocidente, do nosso torpor, do universo do nosso condicionamento ideológico quotidiano. O colapso das torres pode ser visto como a apoteose conclusiva da arte do século XX e da sua paixão pelo Real.



Slavoj Žižek

A Monstruosidade de Cristo

23/02/2009

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Eu te crio paisagem, nada és sem mim.

Cá onde estou, aqui onde a natureza que é pó me conserva exilada, chamo-me. Resgato-me não do sonho mas do sono. rasgo que atravessa a névoa______ por tão breves instantes...______e vejo-te na suficiência certa.

Sou eu que te vejo, e que me vejo a ver-te, e que, ao ver-me, te faço.


____________________e

ausento-me

deixo beijos
ternos.

17/02/2009

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Súplica
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas às urgentes perguntas que te fiz.
Deixa-me ser feliz assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto o nosso amor durou.
Mas o tempo passou, há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga


Nights in White Satin - The Moody Blues

10/02/2009

Nem só de pão vive o homem,

por isso, deixo-vos a receita da "Bola de Carne" ou "Folar" que fiz no Natal. Esta massa é muitíssimo boa e fofinha, fácil de fazer e em pouco tempo. Come-se a qualquer hora e em qualquer altura, e com café é dos deuses.
Não se assustem que a da fotografia está em triplicado. É que éramos muitos.



2 dl de leite,

2 dl de azeite,

8 dl de farinha com fermento (Branca de Neve),

6 ovos,

1 gema de ovo.

carnes de fumeiro: chouriço, bacon, presunto, salpicão(todo o tipo de carnes fumadas), ou restos de carnes que tenha no frigorífico, sem molhos.

Misturam-se o leite, azeite, farinha e os ovos até ficar uma massa sem grumos. Num tabuleiro ou forma de bolos untada e polvilhada, deita-se uma camada de massa. Colocam-se as carnes cortadas em fatias ou rodelas por cima da massa, bastante carne porque a massa cresce e o que parece muito fica a saber a pouco. Depois coloca-se o resto da massa por cima das carnes. Pincela-se com uma gema de ovo para ficar com aquela cor dourada, e vai ao forno.
Com um palito vêm se está cozida (toda a gente sabe a técnica do palito, espeta-se até ao fundo se vier seco, está cozida).

Bom apetite.

06/02/2009

...dentro do texto





Tudo flui. A alma assiste, imóvel, à passagem das alegrias, das tristezas e das mortes, de que se compõe a vida. Marguerite Youcenar


Enquanto isso, atardo-me no atalho terrestre em subtracção de aparências e somas de essências. antigas.
Árdua tarefa matemática do menos menos menos para ser mais e mais e mais. menos ego, mais fonte de água pura. lutas extremadas de águas e incêndios. cruz e redenção. Ânsia da alma__ nua até ao branco. indizível.
Resgate da promessa de um sol oculto que faz desabrochar as almas e as estrelas porque importa pouco aquilo em que se crê, o que interessa é a maneira como se crê._____ a maior felicidade da terra leva apenas à fronteira do céu e a verdade não é um ponto fixo, mas uma linha ascendente. A verdade de ontem anula-se perante a de hoje que renuncia à verdade de amanhã. Cada uma delas é apenas uma estrada que leva mais acima.




No corpo toda a terra.

Vou lendo no céu a cor das nuvens e a direcção do vento na terra apascento os olhos. Árvore que se ergue ao céu raiz que abraça a terra ramagens que dançam para as estrelas e o perfume das flores falam-me de Amor ___asas do universo na beleza contida da oração. sol da expressão nas cores. pedras que transbordam vidas. tantas.
Afago os meus cactos queimados pela geada, condoo-me das pobres couves acabadas de plantar e cada vez mais comidas pelos coelhos bravos. faço-me companhia em coisas simples. com desertos mas sem serpentes.
Trago o coração apaziguado em verdade e sinceridade e isso basta-me.
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Andava eu à procura de Teixeira de Pascoaes, "o teólogo que tem na alma toda a luz e no corpo toda a terra", meu conterrâneo e um dos grandes escritores e poetas Portugueses do século XX, encontrei na Biblioteca Nacional Digital raridades. Uma delas é a digitalização da Revista A águia: revista quinzenal ilustrada de literatura e crítica, Porto, 1910-1932.
Um dos Directores da revista foi Teixeira de Pascoaes.

Partilho com vocês este texto maravilhoso de Jaime Cortesão editado no nº1-1ª Série da Revista A Águia, de 1 de Dezembro de 1910. É de uma beleza que ilumina quem o lê. No fim da Página ainda há um brinde. Um lindíssimo "escerto" do poema Romanceiro das Águas de Affonso Duarte.
O Poeta

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